<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8767933669805294998</id><updated>2012-02-08T22:28:09.119-02:00</updated><category term='Usos da língua'/><category term='Linguística'/><category term='Análise sintática'/><category term='Editorial'/><category term='Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa'/><category term='Leitura'/><title type='text'>A Letra mata</title><subtitle type='html'>Esclarecimentos e obscuridades sobre a Língua Portuguesa.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://aletramata.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aletramata.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Luis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14309770220821150186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>17</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8767933669805294998.post-2806442908793751871</id><published>2010-12-14T16:18:00.000-02:00</published><updated>2010-12-14T16:18:40.868-02:00</updated><title type='text'>Uma vírgula!</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;O uso da vírgula causa discussões e dúvidas infinitas. Há muita margem para liberdade no uso desse sinal, mas há também critérios bem-definidos que precisam ser entendidos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;E a primeira coisa a entender é que a vírgula não é para marcar respiração. Nem corresponde necessariamente a uma pausa na fala. O que quer dizer que uma frase bem comprida pode não ter vírgula nenhuma, e nem por isso vamos perder o fôlego no meio dela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;Outra ideia errada é que a vírgula serve para desfazer ambiguidades. Não, não desfaz. Se a frase é ambígua por defeito de construção, vai continuar ambígua se você sair enfiando vírgulas onde bem entender. Aquelas brincadeiras de ficar mudando vírgula de lugar para mudar o sentido são um passatempo, não correspondem a dúvidas de pontuação no mundo real.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;A vírgula, na verdade, é um marcador sintático, marca um intervalo sintático, é típica da escrita, portanto nem sempre encontra correspondência na fala. Os critérios para uso da vírgula dependem da estrutura da frase, e os principais deles são os seguintes:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;1) &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Deslocamento de adjunto adverbial&lt;/b&gt;: usa-se a vírgula para marcar a mudança de posição do adjunto adverbial (aqueles termos que normalmente atribuem circunstâncias ou qualificações ao verbo, ou a toda a oração). A posição normal deles é o fim da frase, então, quando se antecipam, marcam-se com vírgula. O uso da pontuação é dispensável quando o adjunto adverbial já estiver claramente marcado e seu deslocamento não implicar dúvidas ao leitor sobre a estrutura da frase. Por exemplo, posso não pontuar quando o adjunto deslocado for curto, ou claramente adverbial (como os advérbios terminados em &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;–mente&lt;/i&gt;). Se o adjunto adverbial deslocado for uma oração (oração subordinada adverbial, ou seja, tem verbo no meio), a vírgula ocorre sempre; aliás, com oração adverbial, é frequente a vírgula ocorrer mesmo sem inversão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;Observe-se que estamos falando de termos adverbiais, ou seja: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;não se usa vírgula&lt;/i&gt; para marcar inversão dos termos principais da oração, como sujeito, objeto direto e objeto indireto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;2) &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Intercalação de termo acessório (exceto se restritivo)&lt;/b&gt;: usa-se vírgula para marcar o acréscimo de um termo acessório, em qualquer posição na frase, como apostos, vocativos, orações adjetivas, orações intercaladas, modificadores adverbiais relacionados genericamente a toda a oração (como &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Infelizmente&lt;/i&gt;, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Segundo o ministro&lt;/i&gt;, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Na minha opinião&lt;/i&gt;), expressões retificadoras (&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;isto é&lt;/i&gt;, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;ou seja&lt;/i&gt;, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;a saber&lt;/i&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;etc) e predicativos de caráter acessório (como em &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;O rapaz, &lt;u&gt;desanimado&lt;/u&gt;, entrou em casa&lt;/i&gt;). Há uma exceção importantíssima a esta regra: os termos acessórios de caráter &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;restritivo&lt;/i&gt;, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;especificador&lt;/i&gt;, não têm vírgula. Se, por exemplo, na última frase que eu citei, a palavra “desanimado” servisse para especificar de que rapaz estou falando, não haveria vírgula: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;O rapaz desanimado entrou em casa&lt;/i&gt;, isto é, o termo intercalado faz distinção entre este e outros possíveis rapazes de quem eu pudesse falar. Os termos restritivos (aposto restritivo, oração adjetiva restritiva, a maior parte dos adjuntos adnominais e complementos nominais) &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;não&lt;/b&gt; têm vírgula.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;3) &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Coordenação&lt;/b&gt;: a vírgula é usada em todas as coordenações (enumerações de termos ou orações) que não sejam marcadas por conjunção. Quando há conjunção, o uso varia bastante. Quando a coordenação é marcada pela conjunção &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;e&lt;/i&gt;, por exemplo, normalmente não se usa vírgula (entre orações coordenadas é mais frequente que entre termos simples); com o &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;ou&lt;/i&gt;, usa-se opcionalmente; com o &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;mas&lt;/i&gt;, usa-se quase sempre (menos frequentemente quando ocorre entre termos simples). Com outros termos que parecem conjunção mas não são, como &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;portanto, todavia, contudo, logo, então&lt;/i&gt;, marca-se sempre a coordenação com vírgula. Vale lembrar que a vírgula, quando aparece junto com a conjunção, vem sempre antes dela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;Nos casos 1 e 2, a vírgula faz um &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;isolamento&lt;/i&gt;, ou seja, usa-se uma vírgula antes, outra depois do termo que se quer separar (a menos que ele venha no início ou no fim da frase, é claro). No caso 3, uma vírgula, só, marca a coordenação. (Estas minhas últimas vírgulas, por exemplo, são sintaticamente opcionais, mas, se eu as tirar, o leitor pode entender o “só” como uma restrição ao verbo “marca”, como se eu dissesse que a única coisa que a vírgula faz é marcar coordenação. Mas, como o que eu quero dizer é que a vírgula sozinha basta, pus o “só” entre vírgulas. Opcional, mas sem sair dos critérios.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;Vamos a alguns exemplos e suas respectivas justificativas:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;a) &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Antes de acabar o jogo, o juiz abandonou o gramado&lt;/i&gt;. (regra 1: oração adverbial deslocada)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;b) &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Compraremos, ainda hoje, os presentes de Natal&lt;/i&gt;. (Regra 1: adjunto adverbial deslocado; como é curto e composto por advérbios, posso tirar as vírgulas; observe-se que ou eu uso as duas, ou nenhuma; uma só, ficaria errado.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;c) &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;O acidente, que envolveu um carro e uma moto, deixou três pessoas feridas.&lt;/i&gt; [Regra 2: oração adjetiva (acessória, portanto), de valor explicativo.]&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;d) &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Aquele, sim, era o homem da vida de Maria.&lt;/i&gt; (Regra 2: adjunto adverbial acrescentado livremente, sem vinculação com nenhum termo específico; nestes casos, ainda que curto, normalmente se usa a vírgula.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;e) &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Meu filho João passou de ano.&lt;/i&gt; (Regra 2: se não há vírgulas isolando “João”, é porque é uma restrição, ou seja, eu tenho mais de um filho e estou falando de apenas um deles; note-se o risco de comprometer o sentido se eu errar a pontuação nesta frase, como em, por mau exemplo: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Eu e minha esposa Maria fomos ao parque.&lt;/i&gt;)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;f) &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;O menino gostava de estudar História, Geografia e Biologia.&lt;/i&gt; (Regra 3: os três termos estão coordenados, mas o “e” substitui a vírgula no último caso.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;g) &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Não tínhamos conseguido falar com o diretor, mas, quando ele saiu do prédio, os funcionários, irritados, o cercaram, e a confusão começou.&lt;/i&gt; (Esta é uma típica frase que causa confusão quanto ao uso da vírgula. Há várias, e precisamos analisar cada caso separadamente: a primeira marca coordenação de orações — regra 3; a segunda, casada com a terceira, marca o deslocamento de uma oração adverbial — regra 1; as duas seguintes isolam o “irritados” pela regra 2; e a última marca a coordenação de orações — como já há a conjunção “e”, a vírgula é opcional, mas bastante frequente por se tratar de orações com sujeitos diferentes.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;Há vários outros usos, convém ver uma boa gramática (recomendo para isso a do Bechara). Um deles, muito interessante, é o uso da vírgula para marcar a omissão do verbo, como em &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;O primeiro projeto foi vetado e o segundo, aprovado&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;Outras dúvidas são comuns. O uso da vírgula é muito afetado pelo estilo, pelo ritmo que se quer imprimir ao texto, pelo gosto do autor etc. Mas os critérios explanados acima devem ser seguidos, em todo texto formal, por obediência a um padrão que garante clareza, fluidez e elegância ao que se escreve.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11.0pt;"&gt;Qualquer dia desses eu escrevo sobre outros sinais de pontuação, como o ponto e vírgula, os travessões e os parêntesis. Até lá!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8767933669805294998-2806442908793751871?l=aletramata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aletramata.blogspot.com/feeds/2806442908793751871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8767933669805294998&amp;postID=2806442908793751871&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/2806442908793751871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/2806442908793751871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aletramata.blogspot.com/2010/12/uma-v%C3%ADrgula.html' title='Uma vírgula!'/><author><name>Luis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14309770220821150186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8767933669805294998.post-4648284076457654689</id><published>2010-04-19T11:56:00.002-02:00</published><updated>2010-09-10T16:52:43.160-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Editorial'/><title type='text'>Autor publicado!</title><content type='html'>Uma versão um pouco resumida &lt;a href="http://aletramata.blogspot.com/2008/11/porqu.html"&gt;deste meu texto aqui&lt;/a&gt; sobre os "porquês" saiu publicada no caderno &lt;b&gt;Eu, concurseiro&lt;/b&gt;, do Correio Braziliense de hoje. O que não faz de mim, exatamente, um autor publicado, mas já é alguma coisa, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strike&gt;Tem versão online &lt;a href="http://www2.correioweb.com.br/cbonline/euconcurseiro/sup_euc_10.htm"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/strike&gt; Não tem mais. Agora, só pra assinante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8767933669805294998-4648284076457654689?l=aletramata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aletramata.blogspot.com/feeds/4648284076457654689/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8767933669805294998&amp;postID=4648284076457654689&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/4648284076457654689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/4648284076457654689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aletramata.blogspot.com/2010/04/autor-publicado.html' title='Autor publicado!'/><author><name>Luis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14309770220821150186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8767933669805294998.post-6362713149670050106</id><published>2010-03-31T23:37:00.000-02:00</published><updated>2010-03-31T23:37:05.300-02:00</updated><title type='text'>Pergunte-me como</title><content type='html'>Ok, o que não falta na internet é &lt;i&gt;site &lt;/i&gt;pra tirar dúvida de português. Por incrível que pareça, alguns são até bons, como o &lt;a href="http://www.ciberduvidas.com/"&gt;Ciberdúvidas&lt;/a&gt;. Mesmo assim, &lt;a href="http://www.formspring.me/luisladeira"&gt;aqui vai minha contribuição&lt;/a&gt;. Pergunte o que quiser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8767933669805294998-6362713149670050106?l=aletramata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://formspring.me/luisladeira' title='Pergunte-me como'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aletramata.blogspot.com/feeds/6362713149670050106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8767933669805294998&amp;postID=6362713149670050106&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/6362713149670050106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/6362713149670050106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aletramata.blogspot.com/2010/03/pergunte-me-como.html' title='Pergunte-me como'/><author><name>Luis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14309770220821150186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8767933669805294998.post-6679371443858309105</id><published>2010-03-30T12:32:00.001-02:00</published><updated>2010-04-10T21:25:44.420-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Usos da língua'/><title type='text'>Crase</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Eu sei, seu sei. Mais de um ano sem postar nada é quase um recorde mundial. Mas para de reclamar e aprende aí: crase é o nome que se dá à fusão da preposição "a" com um outro "a", que pode ser duas coisas: 1) artigo definido feminino; 2) pronome demonstrativo feminino. O primeiro caso todo mundo conhece. O segundo é um pouco mais difícil de... Não, não é difícil, o pessoal é que não explica direito. É assim: numa frase como "Esta frase ficou mais bonita que &lt;i&gt;&lt;b&gt;a&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; anterior", o "a" destacado, que parece um artigo sozinho, é o pronome demonstrativo. As análises dos gramáticos divergem, mas eu prefiro entender que, neste caso, não se trata da omissão do substantivo "frase", ficando o artigo ali, sozinho, sem pai nem mãe; e, sim, da &lt;i&gt;substituição&lt;/i&gt; da palavra "frase" pelo &lt;i&gt;pronome&lt;/i&gt; "a". Então, se coincidir uma preposição e esse pronome, faz crase. Por exemplo:&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;1) A história do Brasil está intimamente ligada &lt;b&gt;à &lt;/b&gt;das grandes navegações europeias.&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;O adjetivo "ligada" pede preposição, a história está ligada &lt;i&gt;a&lt;/i&gt; alguma coisa. Mas preposição sozinha não faz crase, esse aliás é um erro comum de quem não sabe usar o acento grave. Vê uma preposição, e já taca uma crase. Então repito: preposição sozinha não faz crase. Mas é necessária para que ela ocorra. Então, voltemos ao exemplo: existe preposição, e ela se une com o pronome demonstrativo "a" que substitui a palavra "história". Crase.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Este caso da crase com pronome demonstrativo pode acontecer antes de quase todo tipo de palavra, diferentemente da crase com artigo, que só acontece antes de substantivo feminino. Olha só:&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;2) Nossa história está ligada à &lt;i&gt;que &lt;/i&gt;nossos avós contam. (pronome)&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;3) Nossa história está ligada à &lt;i&gt;de&lt;/i&gt; vocês. (preposição)&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;4) Nossa história está ligada à &lt;i&gt;portuguesa&lt;/i&gt;. (adjetivo)&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;5) Nossa história está ligada à &lt;i&gt;contada &lt;/i&gt;nos livros. (verbo)&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;6) Nossa história está ligada à &lt;i&gt;sua&lt;/i&gt;. (pronome possessivo)&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Quanto a esse último exemplo, vale destacar que a crase é obrigatória mesmo antes do pronome possessivo, caso em que muita gramática ensina que é opcional. Porque o que é opcional antes do pronome possessivo é o artigo, e não a crase. Portanto, se for crase de preposição com pronome, ela é obrigatória.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Então não existe "à" se não for um desses dois casos. Muita gente sai craseando qualquer "a" que vê na frente. É só raciocinar um pouquinho, nem dá tanto trabalho assim. Tem um truque: se a crase é a fusão da preposição com a palavra feminina "a" (seja artigo seja pronome), então como fica se a palavra for masculina? Fica "ao", sempre, tanto no caso do artigo quanto no caso do pronome.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Assim: se a palavra "história", dos nossos exemplos, for trocada por uma masculina (não precisa manter o sentido), o "à" vira "ao". Se não virar, é porque não tinha crase.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;7) Nosso passado está ligado &lt;b&gt;ao&lt;/b&gt; das grandes navegações.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;8) Nosso passado está ligado &lt;b&gt;ao &lt;/b&gt;seu. (Veja que o "ao" é obrigatório, assim como a crase seria se a palavra fosse feminina.)&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Voltando agora ao primeiro caso, o da preposição com artigo definido feminino, o melhor jeito de não errar é lembrar sempre que ela só ocorre se houver artigo. As dúvidas de crase têm mais a ver com o artigo do que com a preposição. Preposição quase todo mundo sabe quando é que tem, quando é que não tem. Artigo é que gera dúvida. Por exemplo, outro dia um arquiteto (aliás meu pai) ficou em dúvida com a seguinte frase:&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;9) Os afastamentos obrigatórios são áreas destinadas a passagem eventual de encanamento ou fiação de interesse público blablablá.&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Tem crase ou não tem? Bom, que tem preposição, isso não é dúvida. Alguma coisa é destinada &lt;i&gt;a&lt;/i&gt;. Mas tem artigo antes de "passagem"? Aqui, especificamente, tanto faz. Depende do sentido que se quer enfatizar: se se quer dar um sentido mais genérico à palavra "passagem" (qualquer passagem, em qualquer tempo, etc), é melhor sem artigo, e portanto sem crase; se a ênfase é para uma passagem já mais ou menos prevista, esperada, pode ter artigo, e daí crase. Tanto faz, no fim das contas.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Noutros casos, o artigo é obrigatório, porque é preciso definir o substantivo:&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;10) A tubulação destinada &lt;b&gt;à &lt;/b&gt;fiação antiga do prédio será substituída etc.&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Trata-se de uma fiação específica, o artigo é obrigatório, a crase também.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;O mesmo vale para indicação de hora ou dia:&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;11) O evento vai &lt;b&gt;de &lt;/b&gt;10h a 11h. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;12) O evento vai &lt;b&gt;das&lt;/b&gt; 10h às 11h.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;No exemplo 11, não há artigo no primeiro termo, não deve haver no segundo, por paralelismo. É só a preposição. No outro, há artigo nos dois. Crase, portanto.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;O pessoal se atrapalha também com o "há". Aqui é fácil: para indicação de tempo passado, "há", sempre. Para outras indicações (distância, hora, tempo futuro), preposição "a", com ou sem crase dependendo de haver ou não artigo ou pronome demonstrativo depois, vê aí.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;13) Eles saíram há pouco tempo, há dois dias, há uma semana. Eles estão aqui há três dias.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;14) Vamos sair daqui a pouco, daqui a duas semanas, às três horas. Estamos a três quilômetros do centro, estamos a cinco minutos da estação.&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Decora, vai. E não existe, no português, em caso nenhum, "á".&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Tem um posto de gasolina aqui perto de casa com uma placa assim:&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Horário de funcionamento:&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Segunda à sexta: 8h as 22h.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Sábados: 9h às 23h.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Domingos e feriados: 12h ás 19h.&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Quer dizer, o cara apostou que uma delas ia estar certa, ou que qualquer coisa dava no mesmo. Corrige aí nos comentários, vai.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Outra dúvida com a crase é antes dos topônimos, os nomes dos lugares. Vou à Veneza ou vou a Veneza? Tudo depende, de novo, do artigo. Preposição eu sei que tem, quem vai vai &lt;i&gt;a &lt;/i&gt;etc. Mas e o artigo? Sugiro testar com o verbo "visitar".&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;15) Visitei Veneza (sem artigo). Portanto, vou a Veneza.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;16) Visitei a Itália (com artigo). Vou à Itália.&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Funciona sempre. É fácil. Larga de ser preguiçoso e para de errar crase, que ninguém aguenta mais. Outro dia vi um anúncio de "pizzas &lt;i&gt;àpartir &lt;/i&gt;de 9,90". Se a pizza for no mesmo capricho com que o cara usa a crase, melhor pagar mais caro noutro lugar.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8767933669805294998-6679371443858309105?l=aletramata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aletramata.blogspot.com/feeds/6679371443858309105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8767933669805294998&amp;postID=6679371443858309105&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/6679371443858309105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/6679371443858309105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aletramata.blogspot.com/2010/03/crase.html' title='Crase'/><author><name>Luis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14309770220821150186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8767933669805294998.post-4281691812419775025</id><published>2009-01-21T11:00:00.005-02:00</published><updated>2009-01-21T12:02:48.341-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Usos da língua'/><title type='text'>Desacordo ortográfico</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ideia (gostou, assim, sem acento? Vai acostumando, então) de unificar a grafia do português nos diversos países lusófonos é boa. Fortalece o mercado editorial, o que me faz ingenuamente esperar que o preço dos livros possa assim diminuir um pouco. Unifica o ensino de português em outros países, consolidando a importância do Brasil como o maior país lusófono. Etc. Mas um problema razoavelmente sério, que consiste na enorme diferença entre a norma-padrão portuguesa e o uso (mesmo culto) brasileiro não é resolvido pelo Acordo Ortográfico, nem poderia ser. Não é a sua intenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor (ou pior) exemplo dessa diferença e dos problemas que ela implica para quem precisa usar adequadamente a variedade padrão da língua, no Brasil, é a colocação pronominal. Meus alunos, para ficar só num caso, torcem o nariz e duvidam de mim quando eu digo que a língua falada no Brasil prefere a próclise (isto é, o pronome átono antes do verbo, como em "me deitei"), sempre, mesmo no nível formal. Eles estranham porque leram em gramáticas e ouviram dos professores, a vida toda, que o certo é sempre sempre sempre a ênclise (como em "deitei-me"), e acreditam piamente nisso, mesmo nunca tendo usado na vida uma ênclise sequer, exceto na escola e em provas de concurso. Isso é um problema, que é difícil de resolver. Se eu pudesse, nem falava de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;regra de colocação pronominal&lt;/span&gt; em sala. Mas não posso, aí eu falo, e os alunos me olham feio se eu ensino o que a gramática diz e se eu me recuso a ensinar o que a gramática diz. Vida de professor não é fácil...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não era para isso que eu ia escrever hoje. Mas tem a ver. O português do Brasil e o de Portugal são tão diferentes, que nem o Acordo Ortográfico conseguiu resolver o problema do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porquê&lt;/span&gt;. Já expliquei &lt;a href="http://aletramata.blogspot.com/2008/11/porqu.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; como funciona o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porquê&lt;/span&gt; no Brasil. Agora vou explicar como é em Portugal e, vejam só, é bem diferente. E vai continuar diferente. Mesmo com a unificação da ortografia.&lt;br /&gt;Prepare-se: em Portugal, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque&lt;/span&gt; é sempre junto. Mesmo na pergunta. Entendeu? Então tá, pode ir. Não, espera! Tem um que é separado: é quando o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;que&lt;/span&gt; é pronome relativo. É um caso fácil: pronome relativo é um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;que&lt;/span&gt; que vem sempre referido a um substantivo anterior. Assim:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;"Não entendi o motivo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por que&lt;/span&gt; você foi embora."&lt;/blockquote&gt;Está vendo que o "que" se refere a "motivo"? Não? Substitua, então, na segunda oração. Fica assim: "você foi embora por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;esse motivo&lt;/span&gt;". Tem outros exemplos disso na &lt;a href="http://aletramata.blogspot.com/2008/11/porqu.html"&gt;postagem sobre o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porquê&lt;/span&gt; no Brasil&lt;/a&gt;. Neste caso, o uso nos dois países é idêntico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto é junto, sempre. Eles consideram o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque&lt;/span&gt; um advérbio interrogativo, quando usado em frases interrogativas diretas e indiretas, e uma conjunção, quando expressa causa, finalidade ou coordenação explicativa. Olha os exemplos:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;1) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Porque &lt;/span&gt;você não veio?&lt;br /&gt;2) Nunca me disseram &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque &lt;/span&gt;você não veio.&lt;/blockquote&gt;Os casos 1 e 2 são exemplos de advérbio interrogativo. São diferentes do uso no Brasil. Para o uso do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque&lt;/span&gt; como conjunção, fica o mesmo que nós usamos. Tem ainda um caso especial em Portugal: se o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque&lt;/span&gt; vier no fim da pergunta, ou se a frase não tiver verbo conjugado, escreve-se &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porquê&lt;/span&gt;, com acento. Assim:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;3) Você ainda não chegou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porquê&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;4) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Porquê &lt;/span&gt;esperar tanto?&lt;br /&gt;5) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Porquê&lt;/span&gt; tanta dor no mundo?&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;Parece mais fácil que no Brasil, certo? Mas olha que coisa: consultados alguns &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sites&lt;/span&gt; de dúvidas de português, percebi que os professores em Portugal parecem ter tanta dificuldade quanto nós, brasileiros, em ensinar o uso dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porquês&lt;/span&gt; para seus alunos. Quer dizer, comprova-se o que eu já tenho como convicção há um tempo: simplificar a língua não facilita o aprendizado. O que se exige do professor é que ele domine bem o que está ensinando; e do aluno, que estude o que vê em sala, senão não adianta nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá na postagem sobre o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porquê&lt;/span&gt; brasileiro eu deixei uns exercícios para os visitantes do blogue responderem, mas ninguém se atreveu, ao menos não publicamente. Dou, então, as respostas, primeiro conforme a regra brasileira, depois conforme a regra portuguesa. Mas fica a questão: se no uso dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porquês&lt;/span&gt; a regra pode ser diferente, e continuará sendo mesmo com a unificação ortográfica, por que (separado) não estender a lógica para outros casos, como a colocação pronominal ou algumas regras de regência verbal? Eu quero começar frases com pronome oblíquo átono! Próclise livre já!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos às respostas dos exercícios:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I - Só gostaria de saber _________ a secretária não me avisou antes sobre o problema. (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;por que&lt;/span&gt;, no Brasil; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque&lt;/span&gt;, em Portugal)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II - Foi ruim revê-la, _________ as lembranças ainda doíam no coração. (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque, &lt;/span&gt;em ambos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III - Os direitos __________ lutam os grevistas são legítimos. (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;por que&lt;/span&gt;, sempre)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV - Ela foi embora, assim, sem mais, e nem me explicou ________. (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;por quê&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porquê&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V - _______ o governo investe pouco em educação, os índices de analfabetismo ainda são muito altos. (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque&lt;/span&gt;, nos dois)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguma dúvida? Deixa aí nos comentários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8767933669805294998-4281691812419775025?l=aletramata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aletramata.blogspot.com/feeds/4281691812419775025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8767933669805294998&amp;postID=4281691812419775025&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/4281691812419775025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/4281691812419775025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aletramata.blogspot.com/2009/01/desacordo-ortogrfico.html' title='Desacordo ortográfico'/><author><name>Luis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14309770220821150186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8767933669805294998.post-8658493729227460468</id><published>2008-11-19T16:57:00.003-02:00</published><updated>2008-11-19T17:09:43.113-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa'/><title type='text'>Atualização ortográfica</title><content type='html'>Conforme explicado &lt;a href="http://luis-tavares.blogspot.com"&gt;aqui&lt;/a&gt;, começo a atualizar também este blogue às novas regras ortográficas estabelecidas pelo Acordo de 1990, que entra em vigor ano que vem.&lt;br /&gt;Já fiz toda a atualização do &lt;a href="http://luis-tavares.blogspot.com"&gt;Palavras à pena&lt;/a&gt;, e me surpreendeu constatar que são raríssimas as palavras que mudam. Sério. Ou eu devo estar usando sempre as outras. Nesta postagem aqui, por exemplo, ainda não apareceu nenhuma palavra que precise de alteração. E ainda não arrumei tempo para falar do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porquê&lt;/span&gt; português.&lt;br /&gt;Quem sabe até o fim do mês?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8767933669805294998-8658493729227460468?l=aletramata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aletramata.blogspot.com/feeds/8658493729227460468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8767933669805294998&amp;postID=8658493729227460468&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/8658493729227460468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/8658493729227460468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aletramata.blogspot.com/2008/11/atualizao-ortogrfica.html' title='Atualização ortográfica'/><author><name>Luis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14309770220821150186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8767933669805294998.post-7566823622748940424</id><published>2008-11-11T16:51:00.010-02:00</published><updated>2010-09-10T16:49:19.930-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Análise sintática'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Usos da língua'/><title type='text'>Por quê?</title><content type='html'>Em ritmo de reforma ortográfica, andei pesquisando nestes dias sobre a diferença entre o uso dos "porquês", no Brasil e em Portugal, e fiquei surpreso ao saber que o Acordo Ortográfico que passará a viger em 2009 nem trisca no assunto. Curioso, consultei nossa digníssima Academia Brasileira de Letras e a resposta confirmou: vamos continuar usando os "porquês" diferentemente dos portugueses. Apesar de eu não ter entendido por que não houve acordo quanto a esse item, vale então explicar aos nossos pacientes leitores, que esperam meses por uma mísera postagem deste relapso autor, quando afinal se usa "porque" ou "por que", aqui e em Portugal.&lt;br /&gt;Para começar, no Brasil: a palavra "porque" é uma conjunção. Sempre. O que uma conjunção faz da vida? Ela liga duas orações (ou termos simples, mas não é o caso do "porque"). Então o "porque" assim, juntinho, só aparece ligando duas orações, ainda que a primeira esteja subentendida, como acontece frequentemente em respostas diretas a uma pergunta. Essa conjunção pode ter os seguintes papéis: 1) introduz uma causa para a oração anterior, sendo portanto uma conjunção subordinativa (causal); 2) introduz uma prova, uma pista, uma explicação para a afirmação que foi feita anteriormente, e não uma causa, e assim vai se classificar como conjunção coordenativa (explicativa); 3) introduz, raramente no português moderno, uma finalidade para a oração anterior, como uma conjunção subordinativa final (a fim de que, para que etc). Vamos aos exemplos, na mesma ordem:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;1) Não fui à aula hoje, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque &lt;/span&gt;estava doente. &lt;/blockquote&gt;(Para quem gosta de classificações: o "porque" introduz uma oração subordinada adverbial causal.)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;2) Deve estar chovendo fortemente, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque &lt;/span&gt;o barulho da água nas telhas é ensurdecedor.&lt;/blockquote&gt;(O conector introduz oração coordenada explicativa: note-se que a segunda oração não é de modo algum a causa da primeira, e sim uma pista, uma prova, uma explicação.)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;3) O piloto se esforçou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque &lt;/span&gt;obtivesse o título.&lt;/blockquote&gt;(A conjunção introduz oração subordinada adverbial final: note-se que o sentido é o mesmo de "a fim de que", "para que"; neste caso, normalmente o verbo da segunda oração aparece no modo subjuntivo, ao contrário do que acontece, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;grosso modo&lt;/span&gt;, quando o "porque" tem sentido causal.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o famoso "porque" junto. Já o "por que", separado, é outra coisa, totalmente diferente: trata-se da reunião da preposição "por" com a palavra "que". O "que", neste caso, pode ser: 1) pronome relativo, referindo-se a uma palavra da oração anterior; 2) pronome indefinido ou interrogativo; 3) pronome relativo sem antecedente, funcionando como uma conjunção integrante. Este último caso é o mais difícil de classificar, mas é fácil de entender. Vamos aos exemplos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) por + que (pronome relativo): &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;A ABL explicou-me o motivo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por que &lt;/span&gt;não haverá mudança no uso da expressão.&lt;/blockquote&gt;Neste caso, o "que" refere-se diretamente à palavra "motivo", e a preposição "por" é responsável pelo sentido causal que a oração tem. Outro exemplo: &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Estas são as fotos das cidades &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por que &lt;/span&gt;passamos durante nossas férias.&lt;/blockquote&gt;Aqui, o "que" se refere a "cidades" e a preposição "por" é regida pelo verbo "passar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) por + que (pronome indefinido ou interrogativo): &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por que &lt;/span&gt;o Acordo não trata dessa questão?&lt;/blockquote&gt;Este é caso clássico de "por que" separado. É a frase interrogativa direta, é a pergunta com ponto de interrogação no final. Perceba-se que não pode se tratar da conjunção "porque", visto que não há ligação com oração anterior. Nesta frase, o "que" é um pronome substantivo, ou seja, ele substitui um substantivo. Essa mesma frase poderia ser formulada com um pronome adjetivo, ou seja, um "que" que acompanha um substantivo, como em: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por que &lt;/span&gt;razão o Acordo não trata disso?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) por + que (pronome relativo em função de conjunção integrante): &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Não entendi &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por que &lt;/span&gt;o Acordo não trata dessa questão. &lt;/blockquote&gt;Trata-se da frase interrogativa indireta, ou seja, a pergunta feita numa frase aparentemente afirmativa, sem ponto de interrogação. Sintaticamente, perceba-se que a oração introduzida pela expressão "por que" funciona como objeto direto da primeira (Não entendi &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;essa omissão&lt;/span&gt;. Não entendi &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;por que houve omissão&lt;/span&gt;). Dessa forma, a expressão "por que" funciona como uma conjunção integrante, aquela que introduz normalmente as orações de caráter substantivo, como é o caso. Aqui, vale ressaltar a enorme diferença de sentido que poderia fazer usar o "porque" junto em lugar do "por que" separado. Comparem-se os seguintes exemplos:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;a) Ninguém entendeu bem, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque &lt;/span&gt;o professor estava impaciente.&lt;br /&gt;b) Ninguém entendeu bem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por que&lt;/span&gt; o professor estava impaciente.&lt;/blockquote&gt;Na frase "a", o "porque" introduz a causa da oração anterior. Ninguém entendeu a explicação, o assunto, seja lá o que for, em decorrência da impaciência do professor. É conjunção adverbial, juntinha portanto. Na frase "b", o que os alunos não entenderam é justamente por que o professor estava impaciente, ou seja, não entenderam o motivo de o professor estar tão impaciente. A expressão "por que" introduz o objeto direto do verbo &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;entendeu&lt;/span&gt;. Ela não introduz a causa da oração anterior. Separada, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "por quê", separado e com acento, é o mesmíssimo "por que" separado dos casos 2 e 3, mas ganha acento quando a frase está invertida e o "que" é seguido de ponto final, de exclamação ou de interrogação. O professor estava impaciente, e ninguém entendeu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por quê&lt;/span&gt;. Você não vai à festa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por quê&lt;/span&gt;? Este time só erra gol, alguém me explique &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por quê&lt;/span&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "porquê", junto e com acento, é o mais fácil de todos. Trata-se de um substantivo, como outro qualquer, sempre antecedido de artigo. "Não entendi &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o porquê &lt;/span&gt;de o Acordo não falar disso" (o motivo de, a razão de).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é difícil. Mas tem que fazer um pouco de análise sintática. Desaconselho os macetes e substituições que algumas gramáticas ensinam. Podem funcionar, mas prefiro sempre entender a estrutura a decorar um macete. Porque o macete você esquece; a estrutura, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos exercitar um pouco? Você pode responder nos comentários, e daqui a uma semana eu dou o gabarito. (Ai, que horror, estou parecendo a Dad...) Diga como aparece o "porque" nos espaços abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I - Só gostaria de saber _________ a secretária não me avisou antes sobre o problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II - Foi ruim revê-la, _________ as lembranças ainda doíam no coração. (Ai, que frase brega!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III - Os direitos __________ lutam os grevistas são legítimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV - Ela foi embora, assim, sem mais, e nem me explicou ________.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V - _______ o governo investe pouco em educação, os índices de analfabetismo ainda são muito altos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na próxima postagem (quando será, hein?) eu explico como funciona isso em Portugal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8767933669805294998-7566823622748940424?l=aletramata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aletramata.blogspot.com/feeds/7566823622748940424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8767933669805294998&amp;postID=7566823622748940424&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/7566823622748940424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/7566823622748940424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aletramata.blogspot.com/2008/11/porqu.html' title='Por quê?'/><author><name>Luis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14309770220821150186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8767933669805294998.post-1790638101734392391</id><published>2008-03-11T11:07:00.006-02:00</published><updated>2010-09-10T16:47:26.686-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Linguística'/><title type='text'>Objetos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;Não vou dar nenhuma desculpa esfarrapada. Deixei o blogue às moscas pelos últimos vinte meses por pura preguiça mesmo de o atualizar. Mas sempre é tempo de se redimir. Tínhamos ficado de analisar uma outra importante diferença entre o português do Brasil e o de Portugal, que é o uso dos complementos verbais, ou objetos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;É assim: no Brasil, diz-se com toda a tranquilidade uma frase como "Meu carro quebrou, mas ainda não levei para a revisão". Veja-se que tanto &lt;i&gt;quebrar &lt;/i&gt;como &lt;i&gt;levar &lt;/i&gt;são verbos transitivos, ou seja, ocorrem com complemento verbal. No entanto, na nossa frase os verbos não estão acompanhados de complemento, e mesmo assim ninguém fica se perguntando: "Quebrou o quê? Levou o quê?" Em Portugal, se diria: "Meu carro quebrou&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-se&lt;/span&gt;, mas ainda não &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o &lt;/span&gt;levei para a revisão". (Tá bom, tá bom, eu sei que em Portugal não se fala &lt;i&gt;carro&lt;/i&gt;, e sim &lt;i&gt;auto&lt;/i&gt;; agora deixa eu continuar a explicação.) Quer dizer: lá é menos comum, mesmo na língua falada, o apagamento do objeto. Aqui, porém, o mais natural é uma frase dessas ocorrer sem a repetição do objeto. Seria estranha, para nós, uma frase assim: "Comprei &lt;i&gt;um livro&lt;/i&gt;, nem &lt;i&gt;o &lt;/i&gt;li ainda e já &lt;i&gt;o &lt;/i&gt;emprestei." Mais frequente seria a elipse pura e simples do objeto nos dois últimos verbos. Já os portugueses estranham esse apagamento, e usam o pronome oblíquo para marcar a anáfora.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;Inversamente, em Portugal é comum o apagamento do sujeito. Sobretudo quando pronominal, é regra não explicitar o termo que conjuga o verbo, isto é, o sujeito: "José Saramago é um dos mais importantes escritores de língua portuguesa. Tem diversos romances e também escreve contos." Veja-se que o sujeito dos dois últimos verbos não foi explicitado. No Brasil, sobretudo no nível da fala, seria naturalíssimo dizer &lt;i&gt;Ele tem diversos romances e ele também escreve contos&lt;/i&gt;. Na primeira pessoa, por exemplo, um brasileiro diz &lt;i&gt;eu fui, depois eu voltei, daí eu encontrei não sei quem&lt;/i&gt; e por aí vai; enquanto um português acharia melhor apagar todos os &lt;i&gt;eus&lt;/i&gt; dessa frase.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;Ou seja: no Brasil é natural apagar o objeto, mas não o sujeito, quando subentendidos; em Portugal, o normal é apagar o sujeito, quando subentendido, mas não o objeto. Isso não é uma regra, e varia bastante dependendo do uso, do estilo e sobretudo do grau de formalidade. Mas é uma diferença estrutural importante entre as duas línguas, e deve ser destacada quando se fala disso em sala de aula.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;Essas diferenças (há outras também) servem para orientar os professores, linguistas e gramáticos brasileiros a prosseguir nos estudos que embasem o estabelecimento de uma norma-padrão brasileira, independente e diferenciada da norma-padrão portuguesa. Isso não é nenhuma forma de ingratidão à nossa língua-mãe ou blablablá. É o passo decisivo para tornar o ensino de português mais coerente com a nossa realidade, com o nosso jeito, com os nossos usos e com a nossa inteligência, que funciona de modo diferente da inteligência (aliás finíssima) dos portugueses.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8767933669805294998-1790638101734392391?l=aletramata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aletramata.blogspot.com/feeds/1790638101734392391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8767933669805294998&amp;postID=1790638101734392391&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/1790638101734392391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/1790638101734392391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aletramata.blogspot.com/2008/03/objetos.html' title='Objetos'/><author><name>Luis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14309770220821150186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8767933669805294998.post-6751273955472144465</id><published>2007-08-30T02:26:00.003-02:00</published><updated>2010-09-10T16:19:03.980-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Linguística'/><title type='text'>Zero e falta para o preconceito</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 30pt;"&gt;Outro dia um aluno meu, após ter me visto provar que estão certas algumas construções sintáticas um tanto estranhas, embora possíveis, desabafou: “Nunca mais corrijo ninguém!” Tem razão meu aluno. Corrigir é tarefa de professor e deve limitar-se à sala de aula. Há inúmeras bobagens ditas por aí em nome do “bom português”. E inúmeros preconceitos contra aqueles que, da ótica de uma classe dominante opressora, não sabem falar direito. Neste ponto, a ignorância e o preconceito de classe se misturam e se confundem. Há os que conhecem a norma-padrão da língua e usam isso como instrumento de poder e de discriminação contra pessoas que, por diversos motivos, falam ou escrevem fora da norma de prestígio. Outros há que, por desconhecer as nuances da língua, julgam erradas frases que a norma-padrão aceitaria com tranquilidade. Mas a maioria das pessoas (com algum estudo) sintetizam o que há de ruim nos dois grupos anteriores: discriminam e corrigem os outros, mesmo sem conhecer bem a norma oficial do português.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 38.5pt;"&gt;Por exemplo, no que eu acabei de dizer: &lt;i&gt;a maioria das pessoas discriminam&lt;/i&gt; é uma frase que um monte de gente julga estar errada e corrige: &lt;i&gt;“&lt;/i&gt;a maioria&lt;i&gt; discrimina&lt;/i&gt;”, apontam os incautos, sem se dar o trabalho de ir consultar uma gramática. Outra frase que, por conter uma inversão, pode parecer errada é, por exemplo, &lt;i&gt;“&lt;/i&gt;É difícil para mim falar sobre isso”. &lt;i&gt;Mim&lt;/i&gt; não está conjugando o verbo. (Aliás, ressalte-se, quando se corrige uma frase como “isso é para mim fazer” sob o argumento de que &lt;i&gt;mim&lt;/i&gt; não conjuga verbo, demonstra-se desconhecimento — grave — de que o verbo &lt;i&gt;fazer&lt;/i&gt; é infinitivo e, portanto, não conjugado. Mesmo o &lt;i&gt;eu&lt;/i&gt;, que a norma-padrão exige neste caso, não conjuga infinitivo.) Voltando ao caso, então, o que há aqui é apenas uma inversão que, por ser curta, pode não se separar por vírgula. Mudando a colocação, poderia ficar “Para mim, sobre isso é difícil falar”, “Para mim, falar sobre isso é difícil” ou “Falar sobre isso é, para mim, difícil”. Etc.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 38.5pt;"&gt;Tem uma comunidade no orkut chamada “Eu procuro erros de português”. Eles corrigem, rindo, frases do tipo “Fui ver os meninos brincar” para &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fui ver os meninos &lt;/span&gt;&lt;i&gt;brincarem&lt;/i&gt;. Ora, não se lembram de Cartola (ou Marisa Monte) cantando “Ver as águas dos rios &lt;i&gt;correr&lt;/i&gt;, ouvir os pássaros &lt;i&gt;cantar&lt;/i&gt;”. Cartola sabia o que estava fazendo. E sabia que tinha a opção de não flexionar o infinitivo neste caso. Assim como tinha a de flexionar. O pessoal da comunidade no orkut não sabe disso. Não estudou a lição numa boa gramática. Mas, mesmo assim, fica apontando erro na fala dos outros.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 38.5pt;"&gt;Na verdade, ser corrigido em público é sempre constrangedor. Interromper uma conversa para fazer alguma correção de linguagem na fala do outro é, no mínimo, uma indelicadeza. A língua serve antes de tudo para comunicar, e errado mesmo é não saber entrar em contato com o outro. E isso inclui ouvir, respeitar e compreender o seu interlocutor, bem como se fazer entender por ele. Na mesma língua.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 38.5pt;"&gt;Voltando à sala de aula, meu aluno talvez não tenha percebido a importância da decisão que estava tomando. Deixar de corrigir os outros é sinal de polidez e de humildade. Não só porque quem corrige pode estar errado, mas porque a conversa fica muito mais agradável e produtiva. Corrigir é tarefa (ingrata) para professor. Da qual ele não deve se isentar. Em sala de aula deve-se corrigir o que o aluno escreve em provas. Deve-se comentar fatos que surjam na fala de alguém. Deve-se apresentar problemas comuns em textos do dia a dia. Deve-se discutir casos complexos, como a estrutura da presente frase (que eu já discuti &lt;a href="http://aletramata.blogspot.com/2006/12/pode-fazer-se-duas-concordncias.html" target="new"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Deve-se mostrar usos literários, raros na linguagem falada. Porque o aluno está lá para isso mesmo. Para ampliar seu repertório sintático e lexical. Para ampliar os limites do seu pensamento e da sua capacidade de interpretação. Mas não para ser humilhado pelo professor, nem para aprender a humilhar os outros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 38.5pt;"&gt;Corrigir é fundamental. Ensinar é fundamental. Esse é o papel da escola, do professor e da educação.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;* Só para constar: o corretor gramatical do Word me mandou corrigir várias das frases deste &lt;i&gt;post&lt;/i&gt;. Tsc, tsc.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8767933669805294998-6751273955472144465?l=aletramata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aletramata.blogspot.com/feeds/6751273955472144465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8767933669805294998&amp;postID=6751273955472144465&amp;isPopup=true' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/6751273955472144465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/6751273955472144465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aletramata.blogspot.com/2007/08/outro-dia-um-aluno-meu-aps-ter-me-visto.html' title='Zero e falta para o preconceito'/><author><name>Luis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14309770220821150186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8767933669805294998.post-5186097825377530415</id><published>2007-08-21T21:24:00.002-02:00</published><updated>2008-11-19T17:41:38.451-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Linguística'/><title type='text'>Não fi-lo porque não quilo.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom, demorei quase cinco meses para cumprir &lt;a href="http://aletramata.blogspot.com/2007/04/o-portugus-so-dois.html" target="new"&gt;minha promessa de falar sobre as diferenças entre o português do Brasil e o de Portugal&lt;/a&gt;. A justificativa está aí no título. Cujos erros, aliás vários, já servem para começar a falar das alegadas distinções. Talvez a mais óbvia delas seja justamente a das regras de colocação pronominal. Mas para que servem mesmo essas regras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colocação pronominal tem a ver com questões fonológicas ou de pronúncia. Sotaque, enfim. Todo o mundo já notou que os portugueses engolem as sílabas átonas da frase, certo? Portanto é uma língua que se organiza toda em função das sílabas fortes, provocando o deslocamento dos pronomes átonos para depois delas. Se um português iniciasse, por exemplo, uma frase com um pronome átono, o som seria tão apagado que poucos o perceberiam. "Me dá um cigarro", para citar Oswald de Andrade, sairia um mero "dá um cigarro", talvez com uma certa nasalização antes do "d". "O vi ontem" ficaria "vi ontem", e faltaria o objeto do verbo &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ver&lt;/span&gt;, e a coisa mais grave do mundo para um português é faltar um objeto (ponto que analisaremos em outra oportunidade). Por isso a regra básica de colocação pronominal em Portugal é usar a ênclise, ou seja, colocar o pronome após o verbo. "Dá-me um cigarro", "Vi-o ontem" etc. Lá só se usa próclise (pronome antes do verbo) se houver fatores sintáticos que, na cadeia frasal, estabeleçam um espaço sonoro para o pronome. É o que ocorre em subordinações, por exemplo, dado que as conjunções que as introduzem também são átonas. Aproximam-se duas expressões átonas e pronto: conseguiremos ouvir mais ou menos as duas, antes que outra explosiva sílaba tônica espalhe perdigotos nos nossos óculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil não tem nada disso. Os sons das sílabas ocorrem com mais uniformidade, e após as sílabas tônicas é que ocorre uma queda sonora que apaga frequentemente os sons finais átonos das palavras. Por isso, entre outros fatores, a próclise é mais natural entre nós e, quando se usa a ênclise, é comum substituir-se o pronome átono pelo tônico, como em "Vi ele ontem".*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, não só a colocação como também o uso mesmo dos pronomes funciona diferentemente. Se eu virar para minha mulher e disser: "Amo-a", ela certamente perguntará, com as unhas cravadas na minha jugular, "Quem?!". Menos grave para minha integridade física, mas ainda um tanto constrangedor, seria dizer "Amo-te", como lá na terra de Saramago se diz. Mas o bom negro e o bom branco da nação brasileira dizem todos os dias: ah, vai, eu te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não ocorre somente na língua falada. Os textos brasileiros escritos cada vez mais adotam como naturais estruturas como "Me deparei com uma questão" ou, como li outro dia num livro do Roberto Schwarz**, "Nos preocupamos em mostrar ao leitor...". Isso não quer dizer que os autores ignorem a prescrição da norma-padrão. Apenas não a consideram relevante. Como, de fato, não o é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, ocorre frequentemente o fenômeno da hipercorreção, em que alguns falantes acham que estão "falando mais bonito" ao usar a ênclise, e a usam mesmo quando há fator de próclise. É conhecida de todos aquela tenebrosa placa dos elevadores, que diz "Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se neste andar." Fora todos os outros problemas que ela tem, a frase ainda usa a ênclise numa oração subordinada, o que traria naturalmente o pronome para antes do verbo. Usa-se muito também a ênclise em formas de particípio, proibida pela norma-padrão. Outro caso é justamente a frase célebre a que o título do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;post &lt;/span&gt;faz referência. "Fi-lo porque qui-lo" ignora que a conjunção "porque" inicia uma subordinação e que, dessa forma, a norma-padrão aconselharia "Fi-lo porque o quis". Mas num país em que ênclise é sinal de erudição, o vulgo bate palma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, para resumir a história: no Brasil, se usa a próclise, sempre. Mesmo em início de frase (apesar de a gramática condenar este uso). Mesmo na língua escrita. Mesmo em textos formais. Mesmo de escritores cultos. Isso configura uma diferença estrutural entre as línguas do Brasil e de Portugal, uma vez que a colocação dos pronomes tem implicações no som, na ordem, na regência, no léxico, na semântica e no uso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me fiz claro? Então tá. Até o fim do ano eu explico o caso dos objetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Nesse caso, não cabe mais falar em "ênclise", pois o termo se refere somente ao uso dos pronomes átonos, ou clíticos.&lt;br /&gt;** SCHWARZ, Roberto. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um mestre na periferia do capitalismo&lt;/span&gt;. Livraria Duas Cidades, Editora 34. Não lembro a página em que achei a frase. Mas aproveita e lê o livro todo, vai.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8767933669805294998-5186097825377530415?l=aletramata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aletramata.blogspot.com/feeds/5186097825377530415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8767933669805294998&amp;postID=5186097825377530415&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/5186097825377530415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/5186097825377530415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aletramata.blogspot.com/2007/08/no-fi-lo-porque-no-quilo.html' title='Não fi-lo porque não quilo.'/><author><name>Luis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14309770220821150186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8767933669805294998.post-4219845057016023525</id><published>2007-04-05T14:32:00.003-02:00</published><updated>2010-09-10T16:43:27.278-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Linguística'/><title type='text'>O português são dois</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;Num conhecido poema seu, Drummond afirma, lembrando suas aulas em criança, que "o português são dois: o outro, mistério". Ele se refere, no caso, à diferença entre o português falado e a norma-padrão escrita, aprendida na escola. O fato é que o português do Brasil é mesmo um tanto esquizofrênico, porque a sua forma padronizada está vinculada ao português de Portugal, enquanto sua forma falada, e mesmo as normas cultas modernas, são completamente independentes do que se fala do outro lado do Atlântico. Disso resulta que a língua que se fala e se aprende em casa e nas ruas é tão radicalmente diferente da que se aprende na escola e nas gramáticas, que o falante brasileiro vive sob aquele velho estigma de que não sabe falar português, ou que fala tudo errado e que português é muito difícil etc. (O português é, para falar a verdade, uma língua gramaticalmente mais complicada que, por exemplo, o inglês; basta ver a quantidade de flexões possíveis de uma palavra — os verbos principalmente — no português e compará-la com a de flexões das palavras do inglês. Por outro lado, o inglês apresenta maior dificuldade no que diz respeito ao léxico, ou seja, a quantidade de palavras do inglês é bem maior que no português, o que representa um problema grave para quem aprende aquela língua, sobretudo suas variedades mais formais. Outra dificuldade no inglês é a diferença entre a grafia das palavras e sua pronúncia; mas nisso a língua francesa é muito pior, o que, levando-se em conta a complexidade de sua morfossintaxe, a torna certamente mais difícil que o português e que o inglês. Fecha parêntesis.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;O que torna o português uma língua tão cheia de armadilhas é, antes de tudo, a noção errada de que a língua certa está lá no Velho Mundo e o que falamos aqui é uma corruptela, uma versão mal-adaptada, tosca e ignorante da bela língua de Camões. Nada disso é verdade. Primeiro que, em Portugal, hoje, não se fala mais a mesma língua de Camões; ou melhor, é a mesma, mas mudou. Mudou porque, mesmo na época de Camões, aliás mais ainda nela, não se falava apenas uma modalidade de língua em Portugal, ou seja, a língua apresentava variação. Ora uma variante prevalecia, ora outra, até que se fixou mais ou menos um padrão, que foi sendo lentamente modificado, apesar do conservadorismo linguístico dos nossos irmãos portugas. Foi sendo modificado porque lá, em Portugal, havia contatos e variantes linguísticas específicas, bem como transformações socioeconômicas as quais não havia por aqui, nem à época da Colônia, nem depois. Donde se deduz naturalmente que as mutações pelas quais a língua passou aqui foram diferentes das mudanças pelas quais ela passou lá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;Para não me estender muito, porque não é essa a intenção, digamos que o que foi dito basta como introdução ao assunto de que queremos tratar. Voltando ao ponto inicial, o fato é que a norma-padrão que adotamos hoje como “língua oficial do Brasil” é uma variedade linguística imprópria ao País, a qual não corresponde ao que quase duzentos milhões de pessoas aprendem e usam todos os dias. A maioria dos gramáticos e professores de português usa esse fato como um instrumento de poder, como se eles fossem donos de uma verdade inacessível à massa ignara, o que cria uma relação de dependência que afeta a autoestima da maior parte dos brasileiros e lhes tira a muitos deles o acesso à plena cidadania, dado que quem não fala certo não pode ocupar certas posições sociais etc etc. O que fazer então? Acabar com a norma-padrão e decretar que cada um fala e escreve como der na telha? Não seria boa ideia. Uma padronização linguística é necessária por motivos óbvios, com benefício para o mercado editorial, a imprensa, a correspondência oficial etc, e por motivos mais sutis, como a preservação mesma da unidade linguística nacional e, consequentemente, da sua unidade social, territorial, política.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;Então que fazer? Parece-me que as respostas mais adequadas são aquelas que se propõem a estudar e sistematizar a língua usada no Brasil. Em outras palavras, &lt;i&gt;se trataria&lt;/i&gt; de concluir que a forma padrão no Brasil é “se trataria” e não “tratar-se-ia”, por exemplo; ou seja, desvincular a norma-padrão brasileira da portuguesa. Não se trata de mudar o nome da língua para &lt;i&gt;brasileiro&lt;/i&gt;; mas, sim, de entender, estudar e ensinar o português que se fala no Brasil, independentemente do que estiver ocorrendo em Portugal. Mais ou menos assim: em vez de a gramática (aliás excelente) do Bechara se chamar &lt;i&gt;Moderna gramática portuguesa&lt;/i&gt;, poderia se chamar “Moderna gramática brasileira”, ou “Moderna gramática do português brasileiro”. Ou a do Celso Cunha, olha que bonito: “Novíssima gramática do português brasileiro contemporâneo”. Em vez de me ensinarem na escola que o certo é “Dá-me um café”, como se fala (sim, se fala, desde os primeiros anos de vida de uma criança) em Portugal, me ensinariam a dizer (e escrever), corretamente, “Me dá/dê um café”. Por favor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;Isso se justifica? Será que as diferenças entre o português do Brasil e o europeu não se resumiriam simplesmente à pronúncia e ao vocabulário, motivo aliás tão grande de piadas entre os dois povos? Quando lê, por exemplo, um texto formal escrito em Portugal, o brasileiro não entende perfeitamente? Sim, claro, desde que ele tenha estudado, porque o que ele aprendeu na escola, na mesma aula que o Drummond, foi o português de Portugal. Nós somos especialistas em português padrão de Portugal. (Digo o padrão porque, caso lêssemos um texto informal português, estranharíamos deveras, porque não foi isso que aprendemos na escola; mas isso é assunto para depois; enquanto isso, experimente ler, num blogue português, a caixa de comentários, que normalmente é mais informal que as postagens&lt;i&gt;&lt;/i&gt;.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;Mas, como conhecemos muito a língua de Portugal e estudamos pouco a do Brasil, não percebemos as diferenças tão importantes que há entre as duas. Diferenças estruturais, sintáticas, não apenas de pronúncia e de vocabulário. Verificar e compreender algumas dessas diferenças será a tarefa deste blogue e de seus dois ou três leitores nas duas ou três próximas postagens.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;Até breve.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8767933669805294998-4219845057016023525?l=aletramata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aletramata.blogspot.com/feeds/4219845057016023525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8767933669805294998&amp;postID=4219845057016023525&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/4219845057016023525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/4219845057016023525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aletramata.blogspot.com/2007/04/o-portugus-so-dois.html' title='O português são dois'/><author><name>Luis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14309770220821150186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8767933669805294998.post-8244398694533021926</id><published>2007-02-24T15:29:00.003-02:00</published><updated>2010-09-10T16:40:38.917-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Análise sintática'/><title type='text'>Voz passiva</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Marcos Bagno e outros importantes linguistas brasileiros chegaram a uma conclusão surpreendente: não existe voz passiva sintética no português do Brasil. Por isso se diz naturalmente "Vende-se carros", "Joga-se búzios", "Aluga-se casas para temporada" etc.&lt;br /&gt;Mas peraí. Vamos dar dois passos atrás e ver o que é voz passiva sintética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em toda estrutura oracional, a relação entre o sujeito e o verbo é privilegiada pela gramática tradicional. Portanto é a primeira relação que se deve estabelecer numa análise sintática. Há duas restrições: o sujeito deve ter caráter substantivo e não pode vir preposicionado. E é ele quem conjuga o verbo, ou seja, o verbo concorda em número, pessoa e gênero (no caso da voz passiva) com o sujeito. Então, por exemplo, em "Vende-se carros", a interpretação tradicional manda que, em primeiro lugar, se encontre o sujeito do verbo &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;vender&lt;/span&gt;. "Carros" tem caráter substantivo e não está preposicionado. É, de fato, o sujeito e, por isso, o verbo deve manter concordância com ele. Daí "Vendem-se carros". A Linguística moderna diz que isso é forçar a barra e não encontra respaldo para essa concordância no uso brasileiro da língua. Estão com a razão. Na língua coloquial, usa-se esta estrutura como voz ativa. Mas a norma-padrão ainda obriga o uso da estrutura passiva sintética (pronominal).&lt;br /&gt;As dúvidas são frequentes, porque o falante entende que "carros" é objeto, e não sujeito. Daí frases como a que mencionei na postagem anterior: "Isolou-se-a". Isso é para evitar dizer "Isolou-se ela", que parece errado, mas está certo. Por quê? Porque "ela" é sujeito de "isolou-se". Outro exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Não se veem turistas por aqui.&lt;/blockquote&gt;Se eu quiser pronominalizar o termo "turistas", fica como? &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Não se os veem por aqui&lt;/span&gt;? Não. O pronome "os" é oblíquo, funciona como objeto. E "turistas", lá em cima, é sujeito paciente (semanticamente, vale como "Turistas não são vistos"). Se é sujeito, o pronome que o substitui é reto: no caso, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ele&lt;/span&gt;. Fica assim, então:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Não se veem eles por aqui.&lt;/blockquote&gt;Isso só pode ocorrer na voz passiva. Na ativa, por exemplo, "Não vejo turistas por aqui", a pronominalização de "turistas" (que é objeto; o sujeito é "eu") obriga o uso do pronome oblíquo. Fica "Não os vejo por aqui".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumo da ópera, voz passiva sintética existe, sim, apesar de não usual na língua falada no Brasil. Mas a norma-padrão pede o seu uso, e em situações de formalidade deve-se seguir ela.&lt;br /&gt;Opa! Se você prestou atenção na postagem anterior, vai perceber que, nessa frase que eu acabei de escrever, valia também dizer "deve-se segui-la".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, agora complicou tudo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8767933669805294998-8244398694533021926?l=aletramata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aletramata.blogspot.com/feeds/8244398694533021926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8767933669805294998&amp;postID=8244398694533021926&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/8244398694533021926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/8244398694533021926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aletramata.blogspot.com/2007/02/voz-passiva.html' title='Voz passiva'/><author><name>Luis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14309770220821150186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8767933669805294998.post-6132500200790261876</id><published>2007-01-29T12:21:00.000-02:00</published><updated>2007-03-15T21:34:55.285-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Análise sintática'/><title type='text'>Pode-se fazer duas concordâncias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isso mesmo. Ou "podem-se fazer duas concordâncias" ou "pode-se fazer duas concordâncias". Essa estrutura tem dupla possibilidade de concordância porque pode ser analisada de duas maneiras diferentes. A primeira possibilidade é considerar &lt;strong&gt;poder fazer&lt;/strong&gt; como uma locução verbal e, portanto, tratá-la como uma estrutura de voz passiva. Assim:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;- &lt;em&gt;podem fazer &lt;/em&gt;= locução verbal;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- &lt;em&gt;duas concordâncias&lt;/em&gt; = sujeito;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- &lt;em&gt;se&lt;/em&gt; = pronome apassivador.&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;A segunda análise possível trata a frase como um período composto (ou oração complexa, na denominação extremamente cabível de Evanildo Bechara, da qual podemos falar noutra ocasião), considerando &lt;strong&gt;fazer duas concordâncias&lt;/strong&gt; como uma oração subordinada. Assim:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;- &lt;em&gt;pode &lt;/em&gt;= oração principal, na voz passiva;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- &lt;em&gt;fazer duas concordâncias&lt;/em&gt; = oração subordinada substantiva subjetiva.&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;Na primeira análise, o verbo &lt;strong&gt;poder&lt;/strong&gt; fica no plural para concordar com seu sujeito, &lt;strong&gt;duas concordâncias&lt;/strong&gt;. Na segunda análise, o verbo &lt;strong&gt;poder&lt;/strong&gt; fica no singular porque seu sujeito é uma oração (&lt;strong&gt;fazer duas concordâncias&lt;/strong&gt;) e, nesse caso, o verbo fica sempre no singular.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No caso da frase que usei &lt;a href="http://luis-tavares.blogspot.com/2006/12/christmas-resistance.html" target="new"&gt;aqui&lt;/a&gt;, "Ouve-se pessoas dizerem", a análise que faço é a seguinte:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;- &lt;em&gt;ouve-se&lt;/em&gt; = oração principal, sendo o &lt;em&gt;se&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;pronome apassivador;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- &lt;em&gt;pessoas dizerem&lt;/em&gt; = oração subordinada substantiva&lt;br /&gt;subjetiva, ou sujeito oracional.&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Portanto, se o verbo tem sujeito oracional, fica no singular. Se eu dissesse "ouvem-se pessoas dizerem", eu cometeria uma estrutura que ainda não vi nenhuma gramática esclarecer bem, a qual mistura a voz passiva com o sujeito do infinitivo. Está certa? Provavelmente sim. Analisamos o caso noutra oportunidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O fato é que muita gente, inclusive professores e bancas examinadoras, acreditam que estruturas como &lt;strong&gt;Pôde-se ouvir os tiros&lt;/strong&gt; ou &lt;strong&gt;Deve-se considerar esses problemas&lt;/strong&gt; estão erradas. E não estão. Dica de macaco velho: em provas e concursos, use &lt;strong&gt;Puderam-se ouvir os tiros&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Devem-se considerar esses problemas&lt;/strong&gt;, só para garantir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aliás, voz passiva sintética é uma estrutura muito discutida e bastante intrigante da língua, e gera dúvidas as mais diversas. Por exemplo, hoje li num livro sobre relações internacionais a seguinte frase: "Quanto à Argentina, isolou-se-a da discussão por meio da construção de novos eixos etc". &lt;em&gt;Isolou-se-a&lt;/em&gt;? Está certo isso?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Resposta e análise no próximo capítulo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8767933669805294998-6132500200790261876?l=aletramata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aletramata.blogspot.com/feeds/6132500200790261876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8767933669805294998&amp;postID=6132500200790261876&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/6132500200790261876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/6132500200790261876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aletramata.blogspot.com/2006/12/pode-fazer-se-duas-concordncias.html' title='Pode-se fazer duas concordâncias'/><author><name>Luis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14309770220821150186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8767933669805294998.post-8134532649531002284</id><published>2006-12-16T15:40:00.004-02:00</published><updated>2010-09-10T16:37:32.376-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Usos da língua'/><title type='text'>For all</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Um dos estudos mais interessantes que alguém interessado na Língua pode fazer é a etimologia, ou seja, o estudo da origem das palavras. Saber de onde vêm as palavras, qual sua significação original e por que transformações elas passaram ao longo dos tempos é tão excitante quanto útil no dia a dia. Por exemplo, por que a palavra &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;obsessão&lt;/span&gt; é com "s" e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;obcecado&lt;/span&gt; é com "c"? Porque se originam de palavras diferentes. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Obcecado&lt;/span&gt; vem de "cegar" (em latim, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;caecare &lt;/span&gt;ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;obcaecare&lt;/span&gt;), portanto designa alguém que está cego ou cegado (por um desejo muito forte, por exemplo). O substantivo correspondente é &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;obcecação&lt;/span&gt;. A palavra &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;obsessão&lt;/span&gt; vem do latim &lt;span style="font-style: italic;"&gt;obsessio, onis&lt;/span&gt;, que significa assédio, cerco, bloqueio ou ação de sitiar. O verbo mais próximo é &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;obsedar&lt;/span&gt;, que vem do francês &lt;span style="font-style: italic;"&gt;obséder&lt;/span&gt; e do latim &lt;span style="font-style: italic;"&gt;obsidere&lt;/span&gt;, com a mesma significação de cercar, importunar, assediar. Daí &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;obsessivo&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Um dos melhores dicionários para estudo etimológico é o Houaiss (que se pronuncia "uais", e não "rouêis"). Além da origem, ele traz a datação, ou seja, a data em que tal palavra foi primeiramente registrada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Agora, eu me divirto mesmo é com o pessoal que inventa etimologia. Sobre isso, leia-se um ótimo artigo de Mário Perini, "Etimologia popular: falsos parentes", no livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A língua do Brasil amanhã e outros mistérios&lt;/span&gt;, da editora Parábola. Aos exemplos que ele traz acrescento alguns outros que já cansei de ouvir. Para começar, acho que quase todo o mundo já ouviu alguém explicar que "forró" vem do inglês &lt;span style="font-style: italic;"&gt;for all&lt;/span&gt;, para todos. É claro, todo o mundo sabe que, pouco depois de inventarem o futebol, os ingleses inventaram uma dança para distrair depois do chá, em que os britânicos esqueciam sua tradicional discrição e saíam rodopiando pelos salões da nobreza, ao som da sanfona. Ora, fala sério, até quem é mais bobinho desconfia. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Forró&lt;/span&gt; é redução de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;forrobodó&lt;/span&gt;, palavra brasileiríssima, de origem na língua portuguesa. O Houaiss ainda explica que essa palavra tem parentesco com o francês &lt;span style="font-style: italic;"&gt;faux-bourdon&lt;/span&gt;. Está lá, é só abrir e ler.&lt;br /&gt;Outra curiosidade são os textos que explicam as origens de determinadas expressões idiomáticas. Há muitos dicionários e pouca fidedignidade no que se diz. Por exemplo, a expressão "feito nas coxas" (malfeito, feito de qualquer jeito) tem várias explicações. Uma vez li que ela vinha do tempo dos escravos, que fabricavam telhas usando como molde as próprias coxas. Como cada um tinha a respectiva de um tamanho, o telhado acabava todo torto. Ou seja, feito nas coxas. Outra vez li que vem do tempo dos cavaleiros, que trocavam mensagens durante suas viagens e, para não perder tempo desmontando, as escreviam apoiadas na coxa, o que resultava numa porcaria, claro. Não acredito em nenhuma das duas. Mas me divirto lendo as explicações. Dessa e de várias outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, é isso. Quem souber ou quiser saber de outras, deixa o recado aí.&lt;br /&gt;Até!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8767933669805294998-8134532649531002284?l=aletramata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aletramata.blogspot.com/feeds/8134532649531002284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8767933669805294998&amp;postID=8134532649531002284&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/8134532649531002284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/8134532649531002284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aletramata.blogspot.com/2006/12/for-all.html' title='For all'/><author><name>Luis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14309770220821150186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8767933669805294998.post-1941149174000734802</id><published>2006-12-11T23:21:00.002-02:00</published><updated>2009-03-30T22:06:39.424-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leitura'/><title type='text'>Critérios de valoração de um livro</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que critérios se devem adotar para julgar se um livro é bom ou ruim? Tentamos responder a essa pergunta no texto abaixo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Um livro é um grande livro não pela história que conta, mas por elementos que vão muito além do que uma leitura desatenta possa revelar. Não é porque se lê um livro num só fôlego, sem se conseguir largar, que ele é um grande livro. Na verdade, os livros que mais me marcaram foram aqueles que passei meses lendo, ainda que curtos. Não é porque o livro é fácil de ler, ou porque o leitor se identifica com o personagem, que ele é bom. Quando aprecio um livro, buscando responder à pergunta “É bom?”, costumo levar em conta as seguintes características:&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;b&gt;Linguagem:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Este é, certamente, o elemento mais importante a ser observado num texto literário. A elaboração formal, a coerência entre a linguagem e o estilo (ressalte-se que linguagem e estilo não são a mesma coisa), a concisão necessária ou a construção intencionalmente perifrástica, prolixa; enfim, esse é o elemento básico da construção de um bom livro. Por isso muitos livros perdem completamente o interesse quando (mal) traduzidos. O contrário também é válido.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;b&gt;Referências:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Não que um bom livro tenha de se encher de citações. Ao contrário, elas costumam deixar o texto pedante. Mas é sempre um índice de criatividade formal a menção, tácita ou evidente, a outra obra ou autor. Para o meu gosto, quanto mais discreta for a referência, melhor; mas essa é uma idiossincrasia. O fato é que uma construção propositalmente ambígua, que estabeleça intertextualidade, ou o recurso à paráfrase e à paródia enriquecem o texto. É desnecessário dizer — mas o digo — que o efeito causado depende da sensibilidade do escritor e, evidentemente, da bagagem de leitura do leitor.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;b&gt;Ponto de vista:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Toda história é contada a partir de um ponto de vista. Mesmo que o narrador seja de terceira pessoa e onisciente. Ele adota um ponto de vista. Se isso não estiver claro, o texto é ruim. Simples assim. Esse ponto de vista pode ser o de um personagem do texto, ou de vários, mas pode ser algo mais, digamos, distanciado. Mas não impessoal. O narrador pode ter um ponto de vista irônico, lamurioso, heroico (como nas epopeias). E esse ponto de vista, é desnecessário dizer (mas digo, mas digo), precisa de coerência. Esse é o aspecto em que muitos livros se enfraquecem. Subitamente, o narrador solta um comentário, ou um adjetivo, enfim, que faz o leitor se perguntar: quem teria dito isso? Ponto negativo para o livro.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;b&gt;Verossimilhança:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Corresponder a história à realidade estrita não é exatamente uma obrigação do ficcionista. Mas é necessária uma coerência interna. A história deve ser crível dentro do próprio universo que ela cria. Excetuam-se, evidentemente, os possíveis jogos a que autores podem recorrer, criando situações notoriamente incoerentes. Contudo, mesmo aí, deve haver uma intenção, normalmente de comismo. Se o autor, a sério ou sem o perceber, cria situações ou personagens que não correspondem aos parâmetros da realidade ou às características ficcionais do próprio enredo, o livro perde em qualidade. Aqui, aliás, escorrega a maioria dos &lt;i&gt;best-sellers&lt;/i&gt; da atualidade. Histórias mirabolantes, encontros inesperados e personagens traiçoeiros são ingredientes que, quando bem-empregados, rendem interesse à obra. Quando bem. E, portanto, raramente.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;Há outros critérios, mais sutis, como a consideração do contexto histórico de produção do livro. Mas quero dedicar-me a rebater alguns que, definitivamente, não garantem valor a uma obra. Por exemplo, a tal originalidade. Ora, se se tomar essa palavra em sentido estrito, a última vez que se pôde falar em originalidade em Arte foi na, sei lá, Grécia Antiga? O fato é que não há muito o que escrever que não tenha sido escrito já. Nada, na verdade. Outra ideia boba é que um livro é bom se o enredo é intrigante. Disso já falamos no início. Qual é a história do livro? Esta é uma pergunta inútil. Temas banais fazem grandes obras. Depende de outros critérios. Outro elemento que pode servir de valoração é o engajamento. Ora, uma obra defender uma determinada pregação, explicitamente, pode ter efeito positivo no âmbito da sua repercussão, e até no significado histórico desse trabalho. Mas raramente um texto com a intenção primeira de transformar o mundo resulta num grande livro.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;Para não ficarmos só na teoria, podemos enumerar alguns exemplos do que foi dito. Machado de Assis escreveu uma das obras capitais da literatura brasileira, aclamada mundialmente, a partir do tema da traição. Nada mais manjado, certo? Errado, porque o trunfo do nosso escritor não foi o tema, mas um conjunto de opções formais que fizeram de &lt;i&gt;Dom Casmurro&lt;/i&gt; o que ele é. Primeiramente, a linguagem. A prosa machadiana flui, é agradável, encanta apenas pela própria beleza das imagens, das palavras, dos contrastes entre termos muito próximos, que geram efeitos estéticos que, numa leitura de fruição, muitas vezes nem decodificamos, mas são captados. Outro ingrediente marcante é o ponto de vista adotado. A história de Bentinho ganha interesse adicional porque é contada sob seu próprio ponto de vista, mas não o do mesmo Bentinho personagem, pois D. Casmurro já está velho quando narra a história. Essa escolha, evidentemente, afeta muito o enredo. O leitor é conduzido, na trama, por um narrador velho, desmemoriado e tendencioso. Quem fica perdendo tempo discutindo se Capitu o traiu ou não, na verdade, não percebeu o jogo proposto pelo escritor. Como vamos acreditar no que D. Casmurro nos diz, se o objetivo dele ao escrever a obra é justamente buscar, numa memória fraca e arrependida, motivos para justificar sua desconfiança e suas atitudes contra Capitu? Uma historinha de amor e ciúme: mas um grande livro.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;Outro autor de que gosto muito é o português José Saramago. Muita gente o critica pelo conteúdo às vezes ingenuamente idealista de seus textos. Críticas bobas ao capitalismo etc. Mas, veja-se, Saramago não me parece preocupado em apregoar o socialismo em seus textos, e sim em escrever frases belíssimas e construir personagens extremamente interessantes. O que ele faz, aliás, como poucos escritores. No texto de Saramago, encontramos uma mistura frequente — e muito gostosa — da linguagem informal, dos ditados populares, das expressões familiares, com uma sintaxe complexa, rica e bem-amarrada. Ou uma mistura de personagens simples e cotidianos com emoções profundas e difíceis de compreender, porquanto extremamente humanas. Tome-se, como exemplo, o romance &lt;i&gt;Memorial do convento&lt;/i&gt;, que muita gente não consegue ler até a décima página, outros acham o melhor livro do mundo. Eu estou mais perto do segundo grupo. É um grande livro, principalmente se analisado do ponto de vista da beleza da linguagem. &lt;i&gt;Memorial do convento&lt;/i&gt; me parece um grande poema, uma ópera, uma epopeia. As frases, as imagens, os diálogos, toda a estruturação linguística do texto é de um grau de elaboração formidável. Por isso é um livro difícil de ler, posto que belo. Vencida a barreira do estranhamento da linguagem, lê-se ele com os olhos úmidos. Além do primor formal, Saramago nos apresenta personagens com densa caracterização psicológica, além de descrições espaciais que, ainda que longas — às vezes muito longas —, são tão ricas e nítidas, que transportam o leitor para o meio da Península Ibérica medieval.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;Há autores que se destacam pela maneira como rompem drasticamente a estrutura padrão de um texto. Dependendo do grau de intencionalidade dessas rupturas, podemos ter um grande livro. Quando penso em um autor que, de modo magistral, tenha feito essa inovação formal, o primeiro nome que me lembra é o de Jorge Luis Borges. Criatividade temática e formal, aliada a um incomparável domínio da língua e seus recursos, eis os trunfos desse autor. Em Borges, na verdade, encontramos uma tal quantidade de recursos, que se torna impossível (ou desinteressante) falar dele sem ler um texto concreto. Mais adiante, se interessar, podemos ler e analisar um dos contos dele por aqui.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 36pt; text-align: justify;"&gt;Dados os exemplos, fica a dica: a leitura de um livro não é mera distração; pressupõe análise, avaliação, critérios razoavelmente bem-definidos. Se não, continuaremos comprando como &lt;i&gt;best-sellers&lt;/i&gt; uma quantidade enorme de livros que não passam de ficção.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8767933669805294998-1941149174000734802?l=aletramata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aletramata.blogspot.com/feeds/1941149174000734802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8767933669805294998&amp;postID=1941149174000734802&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/1941149174000734802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/1941149174000734802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aletramata.blogspot.com/2006/12/critrios-de-valorao-de-um-livro.html' title='Critérios de valoração de um livro'/><author><name>Luis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14309770220821150186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8767933669805294998.post-7022436427336774588</id><published>2006-12-04T22:16:00.001-02:00</published><updated>2008-11-20T17:30:02.535-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Usos da língua'/><title type='text'>Antes de mais nada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de mais nada, vamos deixar claro: este não é um blogue de "dicas de português para concursos", ou coisa similar. Também não é a coluna do Pasquale ou da Dad, para ficar apitando falta enquanto o pessoal vai falando. A norma-padrão é um modelo, uma referência, e não o jeito certo de falar. A Gramática serve para entender a língua, e não para ninguém entender nada, como acontece frequentemente nas escolas e cursinhos. A língua é para usar e abusar. E os usos ditam as regras. Uma língua não perde suas características estruturais quando alguém diz "pra mim fazer". Vale a pena, na verdade, investigar o que leva tantos falantes a usarem essa estrutura, e por que ela deve ser corrigida em contextos de maior formalidade. Recomendo, sobre esse assunto, conhecer a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gramática de usos&lt;/span&gt;, citada aí do lado.&lt;br /&gt;A expressão que intitula esta postagem, por exemplo, é considerada errada pelos paragramatiqueiros de plantão. Não é errada. O português tem diversos casos de dupla negação, principalmente com pronomes como "nada", "nunca" e "ninguém". Quando eu digo "Não vi ninguém", não disse que vi alguém, certo? Então, "antes de mais nada" não traz dúvida alguma quanto ao seu sentido. Aliás, várias outras línguas usam dois elementos de negação, como o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pas&lt;/span&gt; do francês (que é só uma das possíveis expressões negativas que se casam com o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ne&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer saber de uma expressão que, esta sim, diz o contrário do que aparenta? "Correr atrás do prejuízo". Ouço e fico imaginando o mané lá, correndo até alcançar o prejuízo. Aonde?! Eu corro atrás de lucro ou, no mínimo, fujo do prejuízo. Mas cada um corre atrás do que quer, então deixa estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que, apesar de não estar aqui para bancar a polícia da língua, vamos sacanear impiedosamente textos mal-escritos e mal falados que surgirem por aí. Por exemplo, tem um cartaz do PT, contra a ALCA, fixado no gabinete de um deputado aqui de Brasília, o qual diz o seguinte: "NENHUM ACORDO É MELHOR DO QUE UM ACORDO RUIM". Mandou mal, meu querido, você disse o contrário do que queria. Quem aí sugere uma correção interessante?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8767933669805294998-7022436427336774588?l=aletramata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aletramata.blogspot.com/feeds/7022436427336774588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8767933669805294998&amp;postID=7022436427336774588&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/7022436427336774588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/7022436427336774588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aletramata.blogspot.com/2006/12/antes-de-mais-nada.html' title='Antes de mais nada'/><author><name>Luis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14309770220821150186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8767933669805294998.post-3756921736526075078</id><published>2006-12-04T21:04:00.002-02:00</published><updated>2008-11-20T17:31:44.639-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Editorial'/><title type='text'>A Letra mata</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A Língua é um cipoal, perigoso e imprevisível. O poder da palavra não se restringe à criação divina iniciada com o sonoro "Faça-se a luz". Temos todos acesso a esse mecanismo poderoso de... ação. Porque usar a língua corresponde a um ato, uma ação. Dizem por aí que um gesto vale mais que mil palavras. Tenho minhas dúvidas. As palavras são mais fortes que os gestos. É caso de saber usá-las, claro. Daí a importância de compreender esse instrumento (chamar a língua de instrumento é tão impreciso quanto, sei lá, chamar minhas pernas de veículo; mas deixa ficar). A palavra escrita é mais perigosa que a palavra falada? Pode ser, mas pode não ser. Normalmente, a palavra escrita tem maior valor de verdade, por assim dizer. Se está escrito, dá-se maior credibilidade. Talvez por isso ela seja mais perigosa, sim, por seu potencial enganoso. Mas a palavra falada, com sua espontaneidade, naturalidade, sua pressa, pode ser bem mais traiçoeira que a outra, relida e refeita.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O fato é que, falando ou escrevendo, é necessário conhecer a Língua, em seus mínimos detalhes, suas entrelinhas, suas etimologias. Afirmou-se que a língua é sempre contemporânea, sincrônica, como um jogo de xadrez, em que não é necessário o jogador saber o que ocorreu antes, interessa apenas a disposição atual das peças. Ora, só se for para quem fala. Quem estuda a língua precisa conhecer seu passado, o dela. Sua história. E seus disfarces. Palavrinhas que fugiram há tempos do idioma voltam disfarçadas de estrangeirismo. E tem gente querendo proibi-las, achando tratar-se de dominação cultural estrangeira. A língua é cheia de armadilhas, mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas ela não é difícil. Se bem tratada, faz todos os nossos desejos. Se bem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Aqui, portanto, temos um espaço para discutir a língua e aprender sobre ela. Falaremos de questões gramaticais, usos da norma-padrão e das variedades coloquiais, sociolinguística, leitura, escrita, literatura. Dúvidas são bem-vindas. Correções e acréscimos, também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enjoy. Ou seja, vamo' cair dentro!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8767933669805294998-3756921736526075078?l=aletramata.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://aletramata.blogspot.com/feeds/3756921736526075078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8767933669805294998&amp;postID=3756921736526075078&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/3756921736526075078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8767933669805294998/posts/default/3756921736526075078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://aletramata.blogspot.com/2006/12/letra-mata.html' title='A Letra mata'/><author><name>Luis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14309770220821150186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
